TRANSPORTE PÚBLICO EM BELÉM:
EMPRESÁRIOS RECONHECEM FACES MAS NÃO SEUS ERROS!
Que o povo da região
metropolitana sofre no transporte público, isso não é novidade nenhuma. Usar o
ônibus urbano é uma humilhação àqueles que precisam se locomover, numa via crucis que nunca termina. Mas descobrimos,
desde o dia 14 de outubro, que Belém agora passa a ter transporte de primeiro
mundo. Alegrem-se! Temos, finalmente, a Biometria Facial! Ter ônibus limpos,
higienizados, reformados, com funcionários educados e o ar condicionando instalado
é o de menos, afinal temos algo que podemos nos orgulhar na tecnologia de ponta
mundial. Que lindo vermos os rostos “felizes” dos passageiros, diariamente,
sendo mapeados em prol de uma categoria de empresários que podem tudo, menos
perder. Aprendi, nos meus anos de acadêmico de Administração na UFPA, que o que
sustenta uma empresa é o cliente, melhor ainda, a sua satisfação. Pois é dele
que sai a receita necessária para pagar todas as despesas. Mas quando se fala
em transporte público, QUALIDADE não é a melhor palavra que possa defini-lo, talvez,
SUBSERVIÊNCIA. A satisfação do cliente é o que menos importa quando se vê
obrigado a se submeter a esses “lixos ambulantes” que alguns ousam a chamar de “ônibus”.
Cadê o poder público? Onde estão os Vereadores? Só quem usa o sapato sabe onde
o calo aperta. Há muito tempo tenta se humanizar o atendimento aos usuários,
mas o que se vê são impropérios como a não aprovação do ar-condicionado que
poderia amenizar o sofrimento desse povo. Quem não aprovou foram os que não
usam o transporte público. Quem não aprovou, foram aqueles que andam nos seus
carros refrigerados e que não precisam aguentar o mau humor de funcionários
desqualificados para a função, como se o que fizessem fosse um favor e não uma
obrigação. Fora as falácias de uma propaganda que diz que essa tecnologia é
para que o passageiro não seja “enganado”. Quanta hipocrisia! Já são enganados
há muito tempo, com a falsa promessa de que tudo será melhorado. 2020 está aí,
parem de vender seus votos e coloquem pessoas realmente preocupadas com o povo.
Saiam desse círculo vicioso de que nada pode ser feito. Acabemos com o conformismo.
Monopólios existem quando não existem questionamentos. A manobra a que me
refiro deve ser a do motorista e não das massas pois, apesar dos ônibus sujos,
fétidos, quentes e caindo aos pedaços, segundo alguns, o que interessa é que
temos a biometria facial, o resto é um mero detalhe que temos que,
infelizmente, conviver. Parabéns, senhores empresários e um brinde aos
patifes e a patifaria!

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