CÍRIO 2019: ACELERARAM O TEMPO... ESQUEÇERAM A FÉ!
Momento único na vida dos católicos
paraenses, parece estar se tornando cada vez menos um ato de fé e de amor ao
próximo para transformar-se, puramente, em comércio e promoção de artistas e
políticos que todo o ano vêm buscar o seu quinhão, às custas da devoção de um
povo que reverencia a sua padroeira. O que se vê é uma correria para que se
acabe logo a procissão. Nunca se viu uma romaria tão rápida como a desse ano. Aliás, há uma linha tênue que separa a Igreja da hipocrisia. Ao ver a berlinda chegar
às 11:30 da manhã na Praça Santuário, percebi que a maioria das pessoas não
estão preocupadas em manifestar a sua fé, mas em acabar logo com aquilo. Onde
está a espontaneidade? Deu-me a impressão que o Círio de Nazaré se tornou muito
mais uma “obrigação” do que a necessidade de se procurar as bênçãos de nossa "Nazica". Se em 2014, no Círio mais longo da história, pecou-se pelo excesso
nessa digo que o erro se deu pela falta. Tal qual um desfile de escola de samba, via
os organizadores acelerarem o caminhar dos devotos como se fossem uma ala
carnavalesca que, se chegasse atrasado, perderia pontos. Vi artistas se
fantasiarem de santos, no alto de suas varandas, nem um pouco preocupados com a
verdadeira manifestação de um dos maiores eventos católicos do mundo, mas
apenas encher seus bolsos de dinheiro com a falsa ideia de que isso é cristão.
Jesus, com certeza, não concordaria com isso, ao ver que tudo virou comércio,
que o lado profano fala muito mais alto e que muitos fazem de sua fé, objeto de
troca ao cortar a corda, não por amor a Santa Padroeira, mas para vender ou
sanar o seu egoísmo cristão nem que seja à custa de brigas e discussões. Será
que nada é verdadeiro? Onde está o amor, a solidariedade, o respeito aos dogmas
cristãos? O que a boca fala, nem sempre o coração sente. Transformar o Círio
num mero ato para “cumprir tabela” só pelo fato de realizá-lo sem se preocupar
com a sua verdadeira essência divina, faz-me pensar que tudo girará em torno do
comércio e da vaidade humana. Que nossa Padroeira tenha piedade de nós,
pecadores, e que a fé e a humildade nos faça refletir sobre o que é profano e o que é divino, nessa infinita batalha entre o bem e o mal.

Comentários
Postar um comentário